De LUIZ DE CAMÕES. Edição Commemorativa Do IV Centenario do Descobrimento Maritimo da India. Anno CD do Descobrimento Maritimo da India Por Vasco Da Gama. Typographia Do Commercio. Lisboa. MDCCCXCVIII [1898].
De 24,5x18 cm. Com [viii], 186 folhas. Encadernação da época inteira de pele, com nervos e rótulo vermelho adornado com ferros a ouro. Inclui também gravadas as iniciais de posse S. R. I. no pé da lombada. Guardas em papel decorativo com motivos florais.
Impressão cuidada, a preto e vermelho nas páginas preliminares, sobre papel encorpado. Folha de rosto com pequeno emblema tipográfico em forma de cruz, esfera armilar e elementos náuticos.
Exemplar n.º 261, de uma restrita tiragem de 300, com numeração aposta por carimbo e designação impressa «Papel almaço», assinado por Joaquim Eusébio dos Santos na folha de advertência. Encontra-se aparado apenas à cabeça e com etiqueta dos pautadores e encadernadores Seraphim Fernandes, L.da, da Rua de São Nicolau, 13, Lisboa, no verso da pasta anterior. Assinatura de posse «Sousa Ribeiro», datada de 16 de Outubro de 1928, na folha de rosto. Papel com ligeiras marcas de foxing.
Edição comemorativa de tiragem limitada, publicada em 1898 por ocasião do IV Centenário da chegada de Vasco da Gama à Índia. Foram impressos 300 exemplares comerciais: dois em papel Japão, quatro em Whatman, dois em Holanda, quatro em Rives, dez em papel Lusíadas, seis em linho superior, dois em linho azul e 270 em papel de linho. Acresceram dois exemplares em papel comum, sem retiração e em folhas soltas, destinados à revisão do texto e da pontuação para uma futura edição, expressamente excluídos do comércio. Embora «papel almaço» não figure com esta designação na relação geral, a sua presença tanto neste exemplar como no n.º 72 da BNP demonstra que a expressão foi utilizada de origem na individualização de parte da tiragem, provavelmente para uma das categorias de papel de linho enumeradas.
As quatro folhas preliminares compreendem o anterrosto, a folha de rosto, a justificação da tiragem e a advertência editorial. Esta última declara que o texto foi estabelecido segundo a edição do Visconde de Juromenha impressa em Leipzig por F. A. Brockhaus, sendo colocados em notas os argumentos dessa edição e os da «Selecta Camoniana» de António José Viale. Seguem-se os dez cantos do poema, impressos em página ampla, com as estrofes em oitava-rima e notas impressas nas margens.
Os Lusíadas são o maior poema épico do renascimento. Com dez cantos compostos por oitavas reais, estrofes de oito versos decassílabos, exalta os feitos dos portugueses (os lusíadas), que culminaram na descoberta do caminho marítimo para a Índia e no estabelecimento do domínio total do Oceano Índico durante um século.
A narrativa da viagem é ornamentada pelo recurso à mitologia clássica e nela são inseridas outras narrativas que descrevem a História de Portugal e episódios célebres pelo intenso dramatismo e lirismo, como o do Gigante Adamastor ou o de Inês de Castro, sendo antecedida de uma magnífica dedicatória ao Rei D. Sebastião e encerrada por uma brilhante exortação final ao jovem rei.
Luís Vaz de Camões foi um dos maiores poetas da literatura lusófona, nascido em Lisboa por volta de 1524 no seio da pequena nobreza. Teve uma sólida educação clássica, possivelmente em Coimbra, e viveu uma juventude boémia na corte de D. João III, marcada por amores tumultuosos e pelo autoexílio em África como militar, onde perdeu o olho direito em combate. Após regressar e ser preso por ferir um servo real, partiu para o Oriente, enfrentando batalhas e naufrágios enquanto escrevia a sua obra-prima, a epopeia nacionalista Os Lusíadas. Ao regressar a Portugal, publicou o seu grande poema e recebeu uma pequena pensão do rei D. Sebastião, embora tenha terminado a vida na pobreza, falecendo em Lisboa em 1579 ou 1580. Hoje, o seu legado literário é universal e estudado globalmente.
[EN] This 24.5x18 cm volume with [viii], 186 leaves, is bound in contemporary full leather with raised bands, a gilt-tooled red label, and the ownership initials 'S. R. I.' stamped at the spine"s foot, complemented by floral-patterned endpapers. The precise printing is executed in black and red on thick paper with a nautical and armillary sphere emblem on the title page. This specific item is copy no. 261 of a limited 300-copy run on 'Papel almaço' (foolscap paper), signed by Joaquim Eusébio dos Santos and bearing a 1928 ownership signature by 'Sousa Ribeiro,' alongside a binder"s label from Seraphim Fernandes, L.da in Lisbon. The book is trimmed only at the top edge and exhibits minor foxing.
1898 limited commemorative edition of Os Lusíadas, published for the 4th centenary of Vasco da Gama"s arrival in India, alongside an analysis of the epic itself. The print run consisted of 300 commercial copies across various luxury papers, plus two non-commercial loose-leaf copies for textual proofreading. Although 'Papel almaço' (foolscap paper) is not officially listed in the general breakdown, its presence in this copy and another at the National Library of Portugal (BNP) indicates the term was used at origin for a specific subset of the linen-paper copies. Structurally, the volume contains four preliminary leaves including an editorial notice stating that the text follows the Visconde de Juromenha edition, supplemented with marginal notes comparing it to António José Viale"s work. Widely considered the greatest Renaissance epic poem, Os Lusíadas features ten cantos written in ottava rima (eight-line stanzas of decasyllabic verse) that glorify Portuguese maritime discoveries and their century-long dominance of the Indian Ocean. The core voyage narrative seamlessly blends classical mythology with pivotal moments in Portuguese history, showcasing highly dramatic episodes like the Giant Adamastor and Inês de Castro, while framing the entire epic between an initial dedication and a final exhortation to King Sebastian.
Luís Vaz de Camões, born into the minor nobility in Lisbon around 1524, was one of the greatest poets in Lusophone literature. He received a rigorous classical education, possibly in Coimbra, and led a bohemian youth at the court of King John III, marked by tumultuous love affairs. He eventually entered military self-exile in Africa, where he lost his right eye in battle. After returning to Portugal, he was imprisoned for wounding a royal servant, which led to his departure for the Orient. There, he spent years enduring hardships, fighting alongside Portuguese forces, and writing his masterpiece, the nationalist epic Os Lusíadas. Upon his return to his homeland, he published the great poem and received a meager pension from King Sebastian for his services to the Crown. However, he spent his final years facing severe poverty, dying in Lisbon in either 1579 or 1580. Today, his universal literary legacy is studied globally.
Ref.:
- Catálogo BNP, Cotas: CAM. 35 V.; CAM. 261 V.
- Biblioteca Nacional Digital, exemplar n.º 72, Cota: CAM. 35 V.
- HathiTrust Digital Library, Record 101845336.