Semanal. Director: Manuel Maria Múrias. Edições "A Rua". Lisboa. 1976-1980.
191 Números de 46x32 cm. Com um total de 4584 págs. 24 por número. Brochados. Profusamente ilustrados no texto com fotografias, caricaturas e desenhos a preto e branco.
Este conjunto reúne 191 dos 257 números ordinários publicados, aos quais acresce o número 0, correspondente à edição experimental publicada antes do n.º 1. Do conjunto total encontram-se em falta 67 números: 113, 127, 147, 175, 177, 179, 185, 186, 189–191, 193, 194, 196, 198–201, 204, 206–209, 211–221, 224 e 226–257, e o número 0. N.º 0, 30 de Março de 1976 — edição experimental; N.º 1: 9 de Abril de 1976; N.º 257: 22 de Maio de 1981 — último número.
Importante semanário que constituiu um espaço de expressão e intervenção das direitas extraparlamentares durante o processo de institucionalização da democracia portuguesa, após o 25 de Abril. Tornou-se também numa fonte relevante para acompanhar as posições e iniciativas políticas entre 1976 e 1981.
A fundação do semanário é atribuída a Manuel Maria Múrias, que convidou Amândio César para desempenhar as funções de chefe de redacção. Entre os elementos que integraram o núcleo inicial da publicação encontravam-se António Lopes Ribeiro, Fernando Jasmins Pereira, António de Seves Alves Martins, Luís Sá Cunha, Rodrigo Emílio, Walter Ventura, António Zorro, Florentino Goulart Nogueira e António Manuel Couto Viana. Marcelo de Morais assumiu a responsabilidade gráfica da publicação.
Em 1974, Múrias esteve ligado ao Movimento de Acção Portuguesa (MAP), e em setembro desse ano, foi agredido nos arredores de Coimbra juntamente com Rui Alvim, tendo posteriormente seguido para o Brasil. Regressou a Portugal depois do 25 de Novembro de 1975. No período posterior à revolução participou na reorganização de sectores políticos situados à direita do espectro parlamentar. É neste contexto que surge o projecto de criação do semanário A Rua.
Em Setembro de 1976, a Secretaria de Estado da Comunicação Social solicitou à Polícia Judiciária a abertura de um processo-crime relacionado com a edição de 16 de Setembro. Entre as acusações mencionadas encontravam-se a apologia do regime fascista, o apelo à violência e críticas aos partidos democráticos e aos militares do 25 de Abril. Durante os anos seguintes, A Rua continuou a publicar-se e acompanhou as iniciativas de organização política das direitas extraparlamentares. Em 1980, Múrias esteve ligado à Frente Nacional e à coligação formada pelo PDC e pelo MIRN.
Manuel Maria Múrias (Lisboa, 1928 — Cascais, 2000) foi jornalista e director de informação da RTP durante parte da década de 1960, no período do Estado Novo. Após o 25 de Abril de 1974, esteve ligado às direitas extraparlamentares e participou na sua reorganização política. Em 1976, fundou e dirigiu o semanário A Rua, que se tornou um espaço de expressão desses sectores políticos. Manteve uma intervenção jornalística e política ao longo da segunda metade da década de 1970, estando também ligado à Frente Nacional em 1980. Após o fim de A Rua, em 1981, continuou a colaborar na imprensa e publicou obras de carácter histórico, até à sua morte em 2000.
Ref.:
Dextravox: Há 45 anos terminava o semanário A Rua.
Riccardo Marchi: A Direita Nunca Existiu – As Direitas Extraparlamentares na Institucionalização da Democracia Portuguesa 1976-1980, ICS, 2017, págs. 48-53.
Riccardo Marchi:A extrema-direita portuguesa na “Rua”: da transição à democracia (1976 -198 0).
Arquivo da Universidade de Évora.
Francisco Rui Cádima: Comunicação & Cultura, n.º 7, pp. 67-84, 2009.
Carla Baptista, “Os jornalistas amigos do Estado Novo: uma relação duradoura e não linear”, Mediapolis, n.º 13, pp. 47-61, publicada em 2021.
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