Depositária: Livraria Bertrand. Lisboa. 1931.
2 Obras de 19,5x13,5 cm. Com [xcvii]; xv, 94 págs. Encadernação cartonada. Preservam as capas de brochura anteriores. Exemplar com carimbo oleográfico da Livraria Eléctrica no verso da capa anterior da primeira obra, e manchas de humidade nas folhas preliminares e finais das duas obras. Tem dedicatória do autor (Arthur Serrano) ao Major Francisco Izidoro Gorjão de Moura na folha de rosto da segunda obra.
Tem junto:
SERRANO. (Artur) SONS ORIENTAES. [Por] Arthur Serrano. Imprensa Nacional. Moçambique [Lourenço Marque]. 1891.
As páginas preliminares contém nota do autor 'aos que lerem', e dedicatórias do autor a Hurmezinda Idaliza da Felicidade Lobo e a sua mãe. Páginas finais com notas 'aos que leram' e índice dos poemas.
Primeira e única edição, muito rara, publicado pela Imprensa Nacional, na Ilha de Moçambique. A Porbase possui exemplares. Obra muito importante para a história da literatura moçambicana, muito valorizada por ser o primeiro livro de poesia publicado em Moçambique
A obra surge num período em que começava a desenvolver-se uma imprensa e uma vida literária em Moçambique. Um nome fundamental nesse processo foi José Pedro da Silva Campos e Oliveira, considerado o primeiro poeta moçambicano de língua portuguesa e fundador da Revista Africana. Serrano reconhecia a importância de Campos e Oliveira e pediu-lhe que escrevesse o prefácio da obra.
Entre os poemas, destaca-se particularmente «Canto da Guerra Vátua (Assibinheia)», inspirado na experiência do autor da corte de Ngungunhane. Descreve os guerreiros e os rituais militares associados ao soberano de Gaza e constitui uma das partes historicamente mais relevantes do livro.
Artur António Mateus Serrano foi funcionário público, jornalista e escritor que desenvolveu a sua actividade em Moçambique. Em Dezembro de 1888, surgiu em Lourenço Marques a primeira gazeta local, Distrito de Lourenço Marques, de publicação semanal. Entre os seus directores e redactores encontrava-se Serrano, juntamente com António José de Araújo, Joaquim José Lapa, Jacinto Honório José de Moura, João Armando José Longle e Damasceno Isaac da Costa. O jornal publicou até Dezembro de 1889.
Em 1890, Serrano dirigiu o jornal A Situação, depois de ter sido redactor do Distrito de Lourenço Marques. Paralelamente, dedicou-se à literatura, utilizando o pseudónimo São Rano. Serrano integrou uma comitiva portuguesa enviada à capital do Reino de Gaza, Mandlakazi (Manjacaze), onde teve contacto com Ngungunhane, conhecido como o “Leão de Gaza”. Esta experiência inspirou o poema «Canto da Guerra Vátua (Assibinheia)». Em 1891, publicou Sons Orientais, obra pioneira da literatura publicada em Moçambique, que inclui o referido poema e constitui um importante testemunho literário sobre o Reino de Gaza e a figura de Ngungunhane.
Ref.:
-Adilson Fernando Franzin. O romance moçambicano : história e mito. Linguistics. Sorbonne Université; Universidade de São Paulo (Brésil), 2021.
-BNP: Cota - L. 5017 V.
-Boletim do Sindicato Nacional dos Jornalistas:Comemorativo do Tricentenário da «Gazeta», N.º 4, Outubro-Novembro-Dezembro. Sindicato Nacional dos Jornalistas. Lisboa. 1941.
-Ana Mafalda Leite: Jornal As Artes entre as Letras - Março 2015 - Porto.