Conforme a edição impressa de 1771 e os Códices manuscritos das Bibliotecas de Coimbra, Porto e Evora. Com prefácio e notas de Mendes dos Remédios. Subsídios para o estudo da História da Literatura Portuguesa. XXI. França Amado Editor. Coimbra. 1918.
De 20,5x13,5 cm. Com 56, 466, [i] págs. Bela encadernação assinada por Frederico de Almeida, com a lombada em pele, com ferros a ouro, nervos e dois rótulos vermelhos. Cortes das folhas carminados à cabeça.
Exemplar preserva as capas de brochura.
A mais completa edição das obras deste grande poeta quinhentista, imprescindível para o seu estudo e ainda não ultrapassada até aos nosso dias, realizada por um grande estudioso da literatura portuguesa e grande conhecedor e divulgador de obras poéticas do período clássico.
O extenso estudo introdutório nas primeiras 56 páginas tem as seguintes partes: I - O Homem; II - O poeta, onde descreve pormenorizadamente os manuscritos que utilizou para esta edição. As poesias ocupam as páginas 1 a 423, as páginas 425 a 445 compreendem as notas e esclarecimentos, as páginas 447 a 451 a bibliografia, os índices de primeiros versos nas páginas 453 a 458 e o índice das poesias pela ordem de publicação deste volume, nas páginas 459 a 466. A última página sem numeração apresenta as erratas.
Frei Agostinho da Cruz (Ponte da Barca, 3 de Maio de 1540 - Setúbal, 14 de Março de 1619) um dos maiores poetas religiosos do século XVI, ou como afirma Lourdes Belchior (1973): «um dos maiores líricos ascético-místicos de língua portuguesa», ou como a mesma afirmou depois (1995) concordando com Sebastião da Gama: «uma das almas mais torturadas, interrogantes e trágicas da poesia portuguesa do século XVI».
Pertenceu à ordem Franciscana de Santa Maria da Arrábida. Iniciou o noviciado em 3 de Maio de 1560 no Convento de Santa Cruz em Sintra e professou um ano depois no mesmo convento onde viveu até 1605. Em 19 de Março desse ano foi para o Convento de S. José de Ribamar, em Algés onde assumiu o cargo de guardião, onde ficou pouco tempo, pois no mesmo ano foi autorizado a fazer vida de eremita na Serra da Arrábida, tendo falecido na enfermaria da Anunciada em Setúbal. Está sepultado no Convento da Arrábida.
Referências:
José Cândido de Oliveira Martins In Poesia selecta de Frei Agostinho da Cruz. Húmus. Vila Nova de Famalicão. 2021.
Ruy Ventura - Introdução. In: N'Alma escrito: um cancioneiro inédito de Frei Agostinho da Cruz. Officium Lectionis. Porto. 2021.
Ruy Ventura In: Antologia Poética de Frei Agostinho da Cruz. Licorne. 2019.
Lucília Maria Batalha Guerra Sombreireiro - A figura de Jesus na poesia de Frei Agostinho da Cruz. Dissertação de Doutoramento em Teologia. Universidade Católica Portuguesa. Faculdade de Teologia. 2012.
Daniel Augusto da Cunha Faria - A vida e conversão de Frei Agostinho da Cruz: entre a aprendizagem e o ensino da cruz. Universidade Católica Portuguesa. Faculdade de Teologia. Lisboa. 1999.
Maria de Lourdes Belchior - Agostinho da Cruz (Frei) In: Biblos. Enciclopédia Verbo das literaturas de língua portuguesa. Verbo. Lisboa. 1995, Vol. I, colunas 82-84
Sonetos e elegias de Fr. Agostinho da Cruz: estudo, estabelecimento crítico do texto e notas de António Gil Rafael. Hiena. Lisboa. 1994.
Maria de Lourdes Belchior - Cruz (Frei Agostinho da) In: Dicionário de Literatura, Direcção de Jacinto do Prado Coelho. 3.ª ed. Porto: Figueirinhas, 1973, Vol. I, p. 242-243.
Maria de Lourdes Belchior - Poesia e mística: Frei Agostinho da Cruz. In: Aufsätze zur Portugiesischen Kultur-geschichte. Münster: Sociedade Científica de Goerres, 1964, 4.º vol., p. 138-158.