ABEL PEREIRA DA FONSECA, L.da. Lisboa, 1928.
De 37x24 cm. Com 76 folhas não numeradas, impressas apenas pela frente. Encadernação editorial em cartão, com as pastas impressas a cores e ornamentadas com desenhos de parras e cachos de uvas sobre fundo escuro, enquadrados por filetes dourados, com o nome da firma nas margens e, ao centro, o emblema circular da casa, representando uma fragata. Guardas em papel estampado com videiras e cachos de uvas, em castanho, com realces dourados.
Ilustrado com 68 estampas, maioritariamente fotografias a preto e branco, mas também com várias a cores reproduzindo garrafas, rótulos e marcas comerciais. Mostram-se armazéns, adegas, cubas, garrafeiras, cais, transporte, instalações de venda, maquinaria e vistas de propriedades e localidades ligadas à firma. As imagens são enquadradas por molduras decorativas de parras e cachos de uvas, impressas em ocre, e pelo emblema da empresa.
Exemplar sem lombada e com as pastas de cartão gastas e soltas. A pasta posterior tem extensas falhas do revestimento colmatadas com um restauro amador em papel-crepe. Manchas de humidade marginais, sobretudo junto ao pé de algumas folhas.
Álbum comercial muito raro, (a BNP não tem exemplares catalogados) publicado em 1928 pela Sociedade Abel Pereira da Fonseca, L.da, para apresentação da sua actividade no mercado nacional, colonial e estrangeiro. Muito importante para o estudo da estabilização e modernização da economia portuguesa que estava no desejo de todos nos inícios dos anos vinte e que foi posteriomente levada a cabo com as políticas de recuperação financeira conduzida por Salazar.
Redigido em português, francês e inglês, com o texto disposto em três colunas, constitui simultaneamente uma peça publicitária e um documento visual de uma das grandes casas portuguesas de vinhos, azeites, aguardentes, licores e xaropes do período entre guerras.
As oito primeiras folhas expõem a empresa e a sua rede de estabelecimentos. O rosto abre com a enumeração da sede da Rua Primeiro de Dezembro, dos armazéns lisboetas do Poço do Bispo e de Alcântara, das sucursais e armazéns do Porto, Vila Nova de Gaia, Dois Portos, Runa, Torres Vedras, Freiria, Outeiro da Cabeça, Bombarral, Sanguinhal, Cartaxo e Torres Novas, bem como das destilarias e da fábrica «A Licorista», no Poço do Bispo. Na carta aos clientes, datada de 1 de Janeiro de 1928, a firma apresenta a publicação como resposta às visitas de clientes das colónias e do estrangeiro, que haviam sugerido um álbum destinado a tornar conhecidas as suas instalações.
O texto define o propósito empresarial como «a integração completa dos diversos ramos do comercio de vinhos»: a concentração, numa só organização, da produção ou aquisição, armazenagem, tratamento, destilação, engarrafamento, fabrico de licores e xaropes, distribuição e venda directa. A folha inicial anuncia cinquenta estabelecimentos de venda ao público em Lisboa e identifica as sociedades absorvidas ou sucessoras, entre as quais Santos & Fonseca, do Bombarral, a Empreza Vinicola do Sanguinhal e a Companhia Portugueza de Licores.
A iconografia é o principal interesse do exemplar. As fotografias de armazéns, barricas, garrafeiras, cais e instalações de produção fixam a componente material do comércio vinícola e alimentar português dos anos 1920; as estampas a cores, de composição gráfica cuidada, documentam a apresentação comercial das garrafas, marcas e rótulos da firma.
[EN] 37x24 cm, this unpaginated volume contains 76 single-sided leaves written in Portuguese, French, and English. The illustrated cover features vine and grape motifs with the company's signature frigate emblem, a theme repeated on the brown and gold endpapers. Despite its significance for the study of 1920s Portuguese economic stabilization, the copy shows severe signs of wear, missing its spine and featuring detached boards with amateur crepe-paper repairs and marginal damp staining. This rare 1928 commercial album, published by Sociedade Abel Pereira da Fonseca, L.da, documents the modernization of the Portuguese wine and food sector (in this case wine and olive oil) during the interwar period.
The core of the book features 68 prints, blending black-and-white photography with vibrant color plates showcasing corporate branding, bottles, and labels. These visuals capture the firm’s vast infrastructure, including Lisbon warehouses in Poço do Bispo and Alcântara, regional branches in Porto, Gaia, and the Oeste (West) region, alongside distilleries like "A Licorista." Introduced by a January 1928 client letter, the text outlines a pioneer strategy of vertical integration, covering everything from production to direct sales through fifty retail shops. Highlighting acquired companies like “Empreza Vinicola do Sanguinhal”, this work serves as an invaluable advertising piece and historical record of Portuguese commercial iconography.
Ref.:
- Madeira, Bruno Manuel da Costa. Reconversão dos Armazéns de Vinho Abel Pereira da Fonseca — Museu do Vinho. Dissertação de mestrado. Lisboa: Universidade Lusófona, 2016.
- Folgado, Deolinda, e outros. Caminho do Oriente: Guia do Património Industrial. Lisboa: Câmara Municipal de Lisboa, 1998.