Semanário Literário. Director: Thomaz Ribeiro Colaço. Sociedade Editora Frace, Ltd. Lisboa. 1934-1935.
71 Números [de 99] de 48x39 cm. Com 264 págs. com 8 por número. Folhas soltas. Ilustrado com gravuras, passatempos e desenhos a preto e branco.
Exemplares com manchas de humidade e com rasgos nos números. Carimbo oleográlfico da Livraria Bertrand na folha de rosto do primeiro número.
Editor: José de Campos e Sousa. Composto e Impresso na Sociedade Industrial de Tipografia.
Tem em falta os n.º 4, 24, 38, 40, 62, 67, 71, 77, 78, 79 e de 82 a 99.
Semanário que começou a ser publicado a 8 de Fevereiro de 1934, durante dois anos, constituído na totalidade por 99 números, foi dirigido por Tomás Ribeiro Colaço e editado por Manuel Caiola. Surgiu pouco depois da consolidação do Estado Novo, na sequência da Constituição de 1933, refletindo o ambiente político da época, com uma linha editorial marcada pela polémica e intervenção pública, e no plano internacional, adotava posições seletivas como crítica a Hitler, mas elogiava Mussolini, e manifestava oposição à Sociedade das Nações.
Privilegiou a polémica num período em que a censura intervinha com celeridade, cerceando os apologistas da heterodoxia. Neste contexto, dialogou criticamente ou entrou em inconciliável colisão com periódicos de todos os quadrantes: O Gládio, O Diabo, A Verdade, Diário de Notícias, Revolução Nacional, Momento, Bandarra e Presença.
Contou com a colaboração de alguns autores modernistas como Almada Negreiros (subscreveu a nota de abertura); Adolfo Casais Monteiro (retorquiu a uma crítica às Cartas Inéditas de António Nobre feita por Tomás Ribeiro Colaço (n.º 87)); José Régio (saiu em defesa da sua obra); António Botto, António Pedro, Fernando Pessoa, entre outros. De Fernando Pessoa foi divulgada uma carta inédita (n.º 97), redigida a 10 de Outubro de 1935, ou seja, um mês antes do seu falecimento, dirigida ao director deste periódico.
Relevante para a história da imprensa portuguesa porque ilustra o jornalismo de debate político-cultural nos primeiros anos do Estado Novo, onde mostra como alguns periódicos procuravam equilibrar alinhamento e crítica num regime, onde participou em discussões literárias e ideológicas significativas da década de 1930.
Tomás Ribeiro Colaço (Lisboa, 1899 - Rio de Janeiro, 1965), descendente de uma família de artistas (neto de Tomás Ribeiro e filho de Jorge Colaço e Branca de Gonta Colaço), foi advogado, poeta e dramaturgo português. Distinguiu-se particularmente como crítico humorista, tendo o seu estilo sido comparado ao de Eça de Queirós. Aliás, intitulou-se Fradique o semanário literário que fundou e dirigiu em 1934, género que fervilhava a polémica.
Exerceu intensa actividade jornalística em Portugal (onde foi presidente do Sindicato da Imprensa Portuguesa) e no Brasil, onde fixou residência em 1940. Como poeta, foi premiado em Espanha. Como dramaturgo, ganhou o 1.º prémio de peças para o Trindade, em 1936, com Uma Mulher... e o Mesmo Homem, ao gosto social romântico, representada dois anos depois no Nacional. Com Virgínia Vitorino, escreveu A Estrangeirinha, peça em 3 actos, que, representada no Teatro do Ginásio (1932), ficaria inédita. Mas a sua obra para o teatro de maior qualidade foi o «poema dramático» D. Sebastião, também levado à cena no Nacional em 1933. Escreveu vários romances, entre eles O Trevo de Quatro Folhas, para o cinema. Publicou diversas traduções.
Refêrências:
Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. III, Lisboa, 1994.
Daniel Pires, Modermismo, Arquivo virtual da Geração de Orpheu.