PARTE PRIMEIRA. Comprehende Em Dous Tomos, O Que Pertence Áquele Bispado, em quanto a Sé Episcopal residiona Cidade de Idanha, desde a sua fundaçaõ, até ser extinto pelos Mouros. DEDICADA A ELREY D. JOAÕ O V. NOSSO SENHOR, Approvada pela Academia Real, Escrita Pelo Doutor MANOEL PEREIRA DA SYLVA LEAL, J. C. Ulyssiponense, Collegial do Collegio Pontificio de S. Pedro na Universidade de Coimbra, Cavalleiro da Ordem de Christo, e Academico da mesma Academia Real, &c. TOMO PRIMEIRO. LISBOA OCCIDENTAL, Na Officina de Joseph Antonio Da Sylva, Impressor da Academia Real. M. DCC. XXIX. [1729]. Com as licenças necessárias.
De 27,5x22 cm. Com [xviii], cx, 364, 121, [i br.], [iii], [i br.] págs. Brochado.
Ilustrado com uma bela gravura calcográfica de página inteira, segundo desenho de Francisco Vieira Lusitano e aberta por Frans Harrewyn, representando uma alegoria à história eclesiástica com a divisa «Restituet Omnia» da Academia Real. Folha de rosto a preto e vermelho com gravura das armas reais. Impressão ornamentada com profusos cabeções, florões de remate e detalhadas iniciais calcogravadas ao longo das preliminares e entre capítulos, com representações de bibliotecas, anjos, figuras alegóricas e cenas eclesiásticas, desenhados por Quillard e abertos por De Rochefort. As iniciais decoradas apresentam numeração gravada, sistema invulgar possivelmente destinado ao controlo das matrizes. Inclui ainda florões de remate xilogravados, entre os quais uma bela vinheta com um anjo tocando trombeta sobre um globo no final do texto principal. Texto em caracteres redondos sobre papel de boa qualidade, com margens amplas e notas impressas em tipos menores.
Exemplar conserva o miolo de uma encadernação desfeita, preservando apenas os nervos na lombada e as folhas de guarda, com interessantes padrões em relevo, que fazem as vezes de capas de brochura. Apresenta rasgos na guarda anterior e danos por humidade com falhas de papel no canto superior das primeiras três páginas e leves manchas nas margens de algumas páginas, nomeadamente nas 55-72 do Apêndice e nas primeiras páginas até à lxxxiii. Pequena assinatura coeva no rosto e vestígio de etiqueta de posse na guarda anterior.
Obra rara e importante da historiografia eclesiástica portuguesa setecentista, publicada no âmbito do ambicioso projecto da «Lusitania Sacra» promovido pela Academia Real da História Portuguesa, fundada por D. João V em 1720. Neste projeto a Academia incumbiu os seus membros de redigir memórias históricas das dioceses portuguesas, que serviriam de base a uma grande síntese da história eclesiástica do reino — empreendimento que, apesar do empenho e recursos investidos, ficou largamente incompleto.
Constitui o único volume publicado de uma obra projectada em dois tomos, tendo o segundo ficado por imprimir devido à morte prematura do autor em 1733. O presente tomo abrange a história do antigo Bispado Egitaniense desde as suas origens até à extinção pela conquista muçulmana, incluindo as vidas dos bispos da Idanha documentadas nos concílios hispano-visigóticos.
Preliminares com dedicatória a D. João V, licenças da Academia Real assinadas pelos censores — Marquês de Fronteira, Marquês de Alegrete, P. D. Manuel Caetano de Sousa, Conde da Ericeira e Marquês Manuel Teles da Silva. Segue-se, nas páginas em numeração romana, extenso prólogo metodológico («Apparato Historico»), índice alfabético de autores citados e índice de conteúdos.
O texto organiza-se em dois títulos: o primeiro trata da descrição da diocese da Idanha, fundação da cidade, recepção do cristianismo e instituição da Sé episcopal; o segundo apresenta as vidas e acções dos bispos da Idanha, desde Adorio até à extinção do bispado. Inclui em Apêndice, com paginação própria, uma «Dissertação Exegética Crítica» contra o chamado Primeiro Concílio Bracarense publicado por Fr. Bernardo de Brito, que o autor demonstra ser apócrifo. Tem página de título própria onde se lê: «APPENDIX AO PRIMEIRO VOLUME desta primeira parte. Comprehende A DISSERTAÇAÕ EXEGETICA CRITICA, Que Se Publicou Entre Os documentos da Academia do anno de 1723. Contra o Concilio, intitulado PRIMEIRO BRACARENSE, que se descobrio, e publicou Fr. Bernardo de Brito.».
Manuel Pereira da Silva Leal (Lisboa, 1694 – Lisboa, 1733) foi presbítero, jurista e historiador eclesiástico. Freire professo na Ordem de Cristo, Mestre em Artes, Doutor em Cânones e Lente da mesma Faculdade na Universidade de Coimbra, foi também Colegial do Colégio Pontifício de São Pedro, Beneficiado na Igreja de São Julião de Lisboa e Deputado da Inquisição. Nomeado académico da Academia Real da História Portuguesa em 1720, ficou encarregado de redigir as memórias do Bispado da Guarda para o projecto da «Lusitania Sacra».
Referências:
BNP, Cota: H.G. 1449 V.
Internet Archive, memoriasparahist01leal.
Portugal - Dicionário Histórico, Corográfico, Heráldico, Biográfico, Bibliográfico, Numismático e Artístico, Vol. VI, p. 929.
Inocêncio VI, 81, n.º 1194.