De 22x15,5 cm. Com [iv], xvi, 204, [iv] págs. Cartonagem com etiqueta de cota e título manuscrito na lombada.
Exemplar com danos na lombada e nas capas, em vias de se soltar. Tem várias anotações coevas a tinta.
O prólogo é constituído por um artigo extraído das actas da Academia Real das Ciências, da sessão de 18 de Janeiro de 1827. As últimas páginas não numeradas contêm um catálogo do editor.
Esta é a segunda edição da obra, com aumentos e anotações por José de Santo António Moura. A primeira foi publicada em 1789.
Obra pioneira na recolha e no estudo da influência árabe no léxico português.
Cada entrada compõe-se do léxico em português, seguido da palavra que lhe dá origem, em caligrafia árabe e na respectiva transliteração para o alfabeto latino. Segue-se então uma breve nota com explicações da alteração fonética, do seu significado em português, derivações dos verbos e dos advérbios em caligrafia árabe; com base em notáveis autores clássicos de dicionários e compêndios etimológicos.
Embora aquelas que se iniciam pelo prefixo «al» predominem a obra, esta apresenta muitas outras, passando por todas as letras do alfabeto e, embora algumas sejam já autênticos arcaísmos, é ainda possível encontrar palavras completamente atuais como: ladrão, maluco, papagaio, modelo, regueifa ou taça. Dentro do vocabulário alfarrabista, além da palavra alfarrábio, temos também as palavras coifa e tarja.
Frei João de Sousa (Damasco, 1735 - Setúbal, 1812) foi um célebre arabista, que veio para Lisboa em 1750. Obteve protecção e auxílio de João de Saldanha de Oliveira e Sousa, morgado de Oliveira, que foi depois 1.º conde de Rio Maior, do qual adotou o apelido. Foi pelo Governo empregado duas vezes em missões diplomáticas: a primeira como secretário e intérprete de uma embaixada a Marrocos nos anos de 1773 e 1774; a segunda em comissão a Argel, nos de 1786 a 1789. Foi também nomeado Oficial da Secretaria de Estado dos Negócios da Marinha em 1792, e Professor da cadeira de língua arábica em Lisboa, em 1794, sucedendo neste cargo a Frei António Baptista Abrantes. Sócio livre da Academia Real das Ciências de Lisboa.
Referências:
Inocêncio IV, 41; X, 357; arqnet - Dicionário Histórico.