De 30x20,4 cm. Com 23 folhas sem numeração. Encadernação da época com nervos e ferros a ouro na lombada. As pastas estão ornamentadas com uma cobertura de pele mais recente e com ferros a ouro formando uma esquadria simples decorada com um friso de motivos vegetalistas. Folhas de guarda da época em papel marmoreado de grande beleza. Preserva dois dos atilhos em tecido verde, dos quatro originais.
Está acondicionada num belíssimo estojo da época em pele mosqueada, com encaixe ao centro, com ferros a ouro e o interior revestido de papel marmoreado da época igual ao das folhas de guarda.
Ilustrado em extratexto com uma magnífica e bela gravura desenhada e colorida à mão sobre um fólio de pergaminho protegido por uma folha de seda vermelha, com a representação do Brasão dos Abad y Aparicio, que é pormenorizadamente descrito nos fólios 18 verso a 20 verso.
O frontispício, na frente do primeiro fólio é uma belíssima composição desenhada e colorida à mão com o brasão de Carlos IV, Rei de Espanha, encimado pela coroa real e enquadrado por um dossel aberto por dois anjos que seguram os passamanes tendo por baixo diversas figuras e objectos alegóricos do poder real e da coragem militar, tais como um leão, capacete, escudo, estandarte e um canhão. Toda esta composição está sobre um belo plinto em que está inscrito o nome do Rei de Armas Don Ruiz de Naveda, com os nomes próprios caligrafados a dourado e os apelidos a vermelho, início do texto transcrito acima.
O verso do fólio que contém este frontispício e todos os 22 fólios seguintes até ao fim estão decorados com uma tarja a enquadrar o texto, com uma decoração muito elaborada e de belo efeito, composta por uma esquadria externa com triplo filete e com dois realces a vermelho e outra interna igual à anterior que delimitam uma profusa decoração pintada a azul, constituída por jarras, guirlandas, flores, motivos geométricos, pequenos quadros com paisagens e figuras alegóricas das virtudes, tudo ao gosto neoclássico.
O texto está caligrafado numa letra em tinta castanha com belos caracteres itálicos no centro do enquadramento descrito acima e decorado com duas iluminuras desenhadas e colorida à mão no início dos textos sobre cada um dos apelidos: (fólio 1 verso e no fólio 14 frente), com iniciais em tinta dourada sobre decorações desenhadas e pintadas à mão; e com os apelidos, nomes de cronistas antigos e inícios de capítulos escritos com letra dourada e vermelha.
A encadernação apresenta desgastes na lombada e nos cantos e o estojo apresenta algum desgaste superficial com rotura da pele na zona do encaixe da parte superior e no pé da parte inferior.
O texto do certificado termina no fólio 21 verso, onde consta a data, a assinatura autógrafa do Rei de Armas Pasqual de la Rua e o seu selo; segue-se a certidão dos escrivães da Vila de Madrid com oito assinaturas autógrafas e um selo; a certidão do Secretário do Município de Madrid, D. Manuel de Pinedo com assinatura autógrafa e selo das Armas de Madrid. O fólio 23 com a tarja descrita acima, não tem qualquer texto.
Na pasta anterior da encadernação foi colada uma etiqueta rectangular onde foi escrito a tinta permanente do século XX a seguinte designação deste documento: Titulos de Nobleza de los apelidos Abad y Aparicio, assim como cotas de biblioteca em letra diferente da anterior e uma anotação a lápis.
O título que apresentamos é um título atribuído, segundo as regras arquivísticas internacionais (ISAD(G)), pois o manuscrito não tem o equivalente a uma folha de rosto, e foi colhido da declaração de D. Manuel Pinedo, Secretário do Munícipio de Madrid.
Esta Certificacion de Armas foi solicitada pelos irmãos D. Silvestre Abad de Aparicio, D. Lorenzo Abad de Aparicio e D. Victor Abad de Aparicio residentes em Madrid e pertencentes ao ramo da família que habitava o Vale de Valdelaguna, nas villas de Fresneda de la Sierra, Balgañon e o lugar de Barbadillo de Herreros e aparentados com os Abad de Legazpe, no vale de Ezcaray.
Naveda ao descrever a genealogia destes dois apelidos considera que é extremamente dificil saber ao certo qual a sua origem mas considera como mais provável que os Abad sejam oriundos de Aragão, nas montanhas de Jaca, com solar em Barcapollera, e também menciona o lugar de Luquet, em Vigorra, Diocese de Tarba, próximo das mesmas montanhas e informa que um Abad de Grandas, nas Asturias recebeu uma Certidão de Armas em 1697. Os Aparicio são originários do lugar de Barruelo e de Mentera, nas montanhas de Burgos.
No entanto Júlio Ateinza no seu Nobiliário considera que a linhagem dos Abad é originária do país Vasco do vale de Gordejuela, e que actualmente existem vários ramos em Ocaña, Valencia, Santander, Andaluzia que se estendeu pela América no século XVI; e Aragão que se estendeu para Nápoles e Sícilia. Muitos membros destes ramos provaram a sua nobreza na Chancelaria de Valladolid, desde o século XVI ao XVIII.
A linhagem dos Aparicio é de origem castelhana de Barruelos, no vale de Ruesga, donde de dividiu em vários ramos por muitas províncias de Espanha e pela América.
Don Pasqual de la Rúa y Ruiz de Naveda (1745? - c. 1810). Pouco se sabe da sua biografia. A data do seu falecimento é deuzida do facto de, em 1814, ter sido concedida uma pensão vitalícia à sua viúva Dona Antónia de Torres. Foi nomeado Rei de Armas supranumerário em 26 de Fevereiro de 1771 e Rei de Armas numerário em 24 de Março 1774. É autor de algumas genealogias reais e alguns dos seus documentos estão integrados no Arquivo Rújula, que inclui os documentos desta ilustre família de Reis de Armas, que foi organizado por D. Félix de Rújula y Martin-Crespo e por seu neto D. José de Rújula y Ochotorena. São conhecidas muito poucas das suas certificações de armas, sendo seis, de 1771 a 1807 conservadas na Biblioteca do Palácio de Peralada, em Gerona e uma na Biblioteca Menéndez Pelayo, doc 1376 do mss. 753.
Referências:
Alfonso de Ceballos-Escalera y Gila. Marqués de la Floresta. Heraldos y Reis de Armas en la Corte de España, Colección Heráldica. Presevante Borgoña. 1993, p. 246.
Julio de Atienza. Nobiliario Español. Madrid. Aguilar. 1954, p. 51 e 150.