ou Lexicon Etymologico das palavras, e nomes portuguezes, que tem origem arabica, composto por ordem da Academia Real das Sciencias de Lisboa, por Fr. João de Sousa, Socio da dita Academia, e Interprete de S. Magestade para a Lingua Arabica; e augmentado e annotado por Fr. Joze de Santo Antonio Moura, socio da predita Academia, Official da Secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros, e Interprete Regio da referida Lingua. Lisboa na Typigraphia da mesma Academia. 1830. [Imperatura. Antiquorum Opera Selecta. Moderante: Chrisidanto Vilar. Consultoribus: Arnaldus Espirito Santo...Patrono: Sancto Diogo de Alcalá. Edição Fac Simile. Livraria Alcalá. Lisboa. 2004].
De 22x15 cm. Com xvi, 204 págs. Brochado, com sobrecapa protectora ilustrada. Folhas preliminares impressas em papel couchê.
Exemplar com marcas de oxidação na sobrecapa anterior e posterior.
Fac-símile de uma obra pioneira na recolha e no estudo da influência árabe no léxico português. Baseia-se na segunda edição da obra, com aumentos e anotações por José de Santo António Moura. A primeira foi publicada em 1789.
Cada entrada compõe-se do léxico em português, seguido da palavra que lhe dá origem, em caligrafia árabe e na respectiva transliteração para o alfabeto latino. Segue-se então uma breve nota com explicações da alteração fonética, do seu significado em português, derivações dos verbos e dos advérbios em caligrafia árabe; com base em notáveis autores clássicos de dicionários e compêndios etimológicos.
Embora aquelas que se iniciam pelo prefixo «al» predominem a obra, esta apresenta muitas outras, passando por todas as letras do alfabeto e, embora algumas sejam já autênticos arcaísmos, é ainda possível encontrar palavras completamente atuais como: ladrão, maluco, papagaio, modelo, regueifa ou taça. Dentro do vocabulário alfarrabista, além da palavra alfarrábio, temos também as palavras coifa e tarja.
Frei João de Sousa (Damasco, 1735 - Setúbal, 1812) foi um célebre arabista, que veio para Lisboa em 1750. Obteve protecção e auxílio de João de Saldanha de Oliveira e Sousa, morgado de Oliveira, que foi depois 1.º conde de Rio Maior, do qual adotou o apelido. Foi pelo Governo empregado duas vezes em missões diplomáticas: a primeira como secretário e intérprete de uma embaixada a Marrocos nos anos de 1773 e 1774; a segunda em comissão a Argel, nos de 1786 a 1789. Foi também nomeado Oficial da Secretaria de Estado dos Negócios da Marinha em 1792, e Professor da cadeira de língua arábica em Lisboa, em 1794, sucedendo neste cargo a Frei António Baptista Abrantes. Sócio livre da Academia Real das Ciências de Lisboa.
Ref.: Inocêncio IV, 41; X, 357; arqnet - Dicionário Histórico.