Alguns apontamentos sobre o arquitectar das casas simples. Primeira Edição. Edição de Valentim de Carvalho. Lisboa. 1933.
De 22x17 cm. Com 114, [li] págs. Brochado. Ilustrado com 24 estampas a preto e branco.
Exemplar com sinais de manuseio nas capas, rasgo no pé da lombada, manchas de oxidação nas folhas e estampas em extratexto em falta, tendo as mesmas sido substituídas posteriormente com fotocópias.
Doze anos após a publicação d’A Nossa Casa, Raul Lino publica Casas Portuguesas, um novo livro acerca do percurso do projecto da casa moderna, que se compõe essencialmente através das mesmas ideias que o anterior, mas onde se destacam as profundas alterações que a década e meia do pós-guerra provocara, quer no âmbito político, quer no contexto arquitectónico, tanto em Portugal como na Europa. É também notável a evolução da assertividade disciplinar do autor e a inclusão de um portefólio profissional que reúne um conjunto de vinte projectos publicados em 24 estampas.
As alterações mais profundas neste novo livro residem na sua estrutura mais conceptual e deliberadamente mais explícita, que advém de uma intenção teorizadora que se traduz num discurso mais complexo, por vezes hermético, acentuando-se ainda a natureza moral das recomendações de bem-fazer.
Raul Lino (Lisboa, 1879 – 1975) foi um arquitecto português, autor de vasta obra por todo o país e que se destacou no panorama cultural nacional pelas suas teses acerca das relações entre a paisagem, a arquitectura e a tradição. A sua formação envolveu uma etapa de escolaridade passada em Hannover, na Alemanha, estudando com Khöler e, principalmente, com Albrecht Haupt.
Os ensaios A Nossa Casa (1918), A Casa Portuguesa (1929), Casas Portuguesas (1933) testemunham o seu interesse pela análise dos valores de um habitar nacional e pela problemática do projecto da casa moderna.
Ref.: Celebrando A Nossa Casa (1918-2018) de Raul Lino. Antologia de Ensaios. GARRIDO DE OLIVEIRA. (Carla). De ‘A Nossa Casa’ a ‘Casas Portuguesas’ Raul Lino entre livros, entre tempos, entre modos, entre modernos europeus. pp 151-169.