• Livros Raros | Rare Books

2203pg006_1.jpg
2203pg006_2.jpg
2203pg006_3.jpg
2203pg006_4.png

MENDES PINTO. (Fernão) HISTORIA ORIENTAL DE LAS PEREGRINACIONES [1620]

12 000,00 €
Disponível
DE FERNAN MENDEZ PINTO PORTVGVES, ADONDE SE ESCRIVEN muchas, y muy estrañas cosas que vio, y oyò en los Reynos de la China, Tartaria, Sornao, que vulgarmente se llama Siam, Calamiñam, Peguu, Martauan, y otros muchos de aquellas partes Orientales, de que en estas nuestras de Occidente ay muy poca, ò ninguna noticia. CASOS FAMOSOS, ACONTECIMIENTOS ADMIRABLES, leyes, gouierno, trages, Religion, y costumbres de aquellos Gentiles de Asia. TRADVZIDO DE PORTVGVES EN CASTELLANO POR el Licenciado Francisco de Herrera Maldonado, Canonigo de la Santa Yglesia Real de Arbas. AL EXCELENTISSIMO SEÑOR DON DVARTE, MARQVES de Flechilla, y Villarramiel, Marques de Malagon, señor de las villas de Paracuellos, la Porçuna, y Hernancauallero, Alferez mayor de la Orden y Caualleria de Alcantara, y Comendador de Castilnouo. Año [vinheta com escudo armoriado das armas Reais de Portugal]. 1620. Con Privilegio. En Madrid, Por Tomas Iunti, Impressor del Rey nuestro señor. Impressa a costa de Manuel Rodriguez, Mercader de Libros. Vendese en su casa frontero de san Basilio, y en Palacio.
Descrição

 In fólio de 28,5x21 cm. Com [v], viii, [i], iv fólios e 481 (i. é 483), [i br.] págs.

Encadernação recente, inteira de pergaminho flexível, com ferros a ouro em casas fechadas na lombada e com as armas de Portugal gravadas a ouro ao centro das pastas, decoradas com cercaduras, com dois fechos com botões de corda.

Ilustrado com o brasão das Armas Reais de Portugal gravado ao centro da parte inferior da folha de rosto, com belo florão de remate no fim do catálogo de autores que escreveram sobre a Ásia, com um belo cabeção decorativo e uma inicial decorada na primeira folha do texto. Impressão com texto corrido nas folhas preliminares e disposto a duas colunas, no catálogo, índice dos capítulos e no corpo da obra.  

Exemplar com dois pequenos furos marginais na folha de rosto, que apresenta pequena mancha à cabeça e no canto inferior com pico de traça restaurado; com leves manchas marginais nas folhas preliminares. Com pequenas marcas de foxing ao longo do texto e leve acastanhamento das folhas próprio da qualidade do papel. 

Exemplar completo com um total de 483 páginas pois tem a numeração das páginas 478 e 479 repetida.  

As primeiras folhas preliminares sem numeração contêm a transcrição do auto real sobre a impressão de livros de 19 de Outubro de de 1617, a dedicatória a D. Duarte, Marquês de Flechilla, o privilégio real, as aprovações de Fr. José de Castro, do Mestre Espinel  e do Doutor Cetina, fé de erratas assinada pelo licenciado Murcia de la Llana e a taixa assinada por Martin Segura. O segundo conjunto de folhas preliminares numeradas de 1 a 8 contêm a Apologia de Fernão Mendes Pinto pelo tradutor, segue-se uma folha sem numeração com um catálogo de autores que escreveram sobre a Ásia e as 4 folhas seguintes numeradas incluem o índice dos capítulos da obra. Na pagina 481 depois do fim do texto assinalado pelo Laus Deo, apresenta o colofon em que o impressor é designado por - Tomas de Junta.     

Raríssima primeira edição da tradução castelhana da autoria de Francisco de Herrera Maldonado. Esta é a variante com dedicatória a D. Duarte Marquês de Flechilla e o brasão das armas de Portugal na folha de rosto. Existem pelo menos mais duas variantes, a saber: com a dedicatória ao Marquês e o seu escudo de armas na folha de rosto, ou com dedicatória a Severim de Faria e com o respectivo brasão na folha de rosto. Está pendente de futuros estudos comparativos uma conclusão sobre se são variantes de uma mesma edição ou edições diferentes. 

Esta tradução tem excepcional importância para o estudo da obra por dois motivos: o tradutor teve acesso a manuscritos da obra que são desconhecidos nos nossos dias;  por outro lado, publicada apenas 6 anos depois da 1ª edição Portuguesa de 1614, foi o ponto de partida para a enorme divulgação da Peregrinação em toda a Europa, pois foi a partir do texto de Maldonado que foram realizadas as traduções para outras línguas.

A Peregrinação é uma obra de caráter novelesco, ímpar na literatura mundial pelo seu estilo, uma obra de arte de grande classe, uma das maiores criações romanescas produzidas na Península Ibérica por um autor de elevada sensibilidade artística e com notável capacidade para criar personagens, espectáculos e pequenas novelas inseridas na narrativa principal.

É a primeira obra a nível mundial que transmite a tomada de consciência da unidade do mundo, através da sua diversidade, consequência do encontro de civilizações resultante dos descobrimentos portugueses. Baseada na vasta e rica experiência obtida pelo autor na sua aventurosa vida, durante os anos de juventude e nas viagens pelo Oriente, a sua apresentação do mundo exótico oriental e da reacção dos portugueses de quinhentos ao ambiente asiático, apesar de não ser factualmente exacta, tem muito de verdade.

Foram estas características que a tornaram um best seller mundial no século XVII e XVIII, (6 edições castelhanas, 4 inglesas, 6 francesas, 6 holandesas, 2 alemãs) pois era a primeira informação de conjunto sobre o Extremo Oriente, com o atractivo especial de apresentar essa informação sob uma forma romanesca, que conseguia atingir públicos mais vastos do que os tratados históricos e descrições oficiais.

A obra tem afinidades com D. Quixote de Cervantes e com a novela picaresca espanhola, apesar de ao contrário desta não ser só duramente sarcástica e negativa, mas conter, além disso, sentimentos positivos e a esperança num aperfeiçoamento dos seres humanos.

A obra de Mendes Pinto é uma percussora do Orientalismo e do Exotismo muito em voga nos séculos XIX e XX, mas tem a superioridade de não ter só um aspecto turístico, distanciado, característico das referidas tendências, tem, pelo contrário, uma aproximação de grande inteligência, sensibilidade e receptividade a estas novas civilizações.

A Peregrinação inclui numerosas críticas indirectas à mentalidade e a comportamentos negativos dos portugueses tal como o espirito de casta levada a extremos, veja-se a história dos portugueses a cumprir trabalhos forçados na construção da muralha da China que se batem e se esfaqueiam para averiguar quem é mais fidalgo se os Madureiras se os Fonsecas, a ganancia e a violência sem objectivo personificada na personagem do aventureiro António de Faria capaz dos actos da maior coragem e valor assim como das piores baixezas e crimes.

Fernão Mendes Pinto (Montemor-o-Velho c. 1510 – Pragal, Almada 8 de Julho de 1583) De origens humildes, veio para Lisboa em 1521, para ganhar o sustento no séquito de casas fidalgas. Em 1537 embarcou para a índia permanecendo no Oriente durante cerca de 21 anos, principalmente na Ásia do Sudeste, na China e no Japão onde passou grandes aventuras, como ele diz «trabalhos, cativeiros, fomes, perigos e vaidades», tentando fazer fortuna fora e à margem, dos círculos oficiais da estrutura administrativa do Império Português. Esta fase da sua vida só é documentada, praticamente, pelas numerosas referências nos documentos da Companhia de Jesus à qual Mendes Pinto pertenceu durante um breve período, levado pela admiração que sentia pela figura de S. Francisco Xavier. Regressado a Portugal em 1558, casou, teve duas filhas, comprou uma quinta no Pragal perto de Almada, exerceu importantes funções na Misericórdia desta vila, havendo referências indirectas a ter sido Juiz da Vila de Almada, recebeu as visitas de Filipe II e do Padre Pedro Maffei, jesuíta italiano, acompanhado pelos padres João Rebelo e Gaspar Gonçalves que queriam recolher informações sobre a China. A Peregrinação, terminada em 1580, por motivos desconhecidos só foi impressa em 1614, apesar de ter licenças da Inquisição desde 1603.

Ref. bibliográficas:

Francisco Roque de Oliveira. Leituras e transcrições do manuscrito inédito da Peregrinação. In: A Peregrinação de Fernão Mendes Pinto: 400 anos da sua publicação. ICEA e Academia de Marinha: Lisboa, 2016.     

C.R. Boxer, Fernão Mendes Pinto. In Dicionário da História de Portugal, 3º Vol. pág.

António José Saraiva, Prefácio à Peregrinação. Clássicos Sá da Costa. Lisboa.

Alexandre M. Flores, et alia. Fernão Mendes Pinto. Subsídios para a sua bio-bibliografia. Almada. 1983

Iberian Books IB53025

USTC, nº 5011951

Palau (1990, tomo V, pag. 146) e Palau (1956, Tomo 9, pags. 20 163203).

Azevedo e Samodães, 2074.

Inocêncio II, 285

Ref.: Cordier (Japonca), p. 36.

Brunet IV, 670.

Leite de Faria, 24-1.

INFORMAÇÃO ADICIONAL [+]
Referência / SKU: 2203PG006
Idioma: Castelhano
Nº Volumes: 1
Personalização: Não
Localização: M-10-C-36
Autor: MENDES PINTO. (Fernão)
Peso (gramas): 1093
Local de Edição: Madrid
Nº de Páginas: 501
Impressor: Tomas Iunti
Ano de Edição: 1620
EAN: 3513161683700
ISBN: 3513161683700

IR PARA TOPO