In 4º de [viii], 506 (i.e. 512) págs.
Encadernação do século XIX, com ferros a ouro na lombada e nas pastas.
Ilustrado com frontispício gravado, representando um arco do triunfo semelhante ao Arco de Triunfo de Trajano em Ancona, com a Rainha da Virtude ao centro, figuras alegóricas da Geometria e da Astronomia nas colunas laterais, e as figuras alegóricas da Arquitectura, da Matemática, da Música e da Retórica na parte superior, significando a elevação da arquitectura ao nível das artes liberais.
Ilustrado com gravuras da autoria do grande arquitecto do Renascimento Andrea Palladio, mais de cem no texto e em extratexto representando plantas, alçados e cortes de edifícios, figuras geométricas, relógios, figuras astronómicas, máquinas hidráulicas, de guerra e instrumentos de medição. Estas são um dos aspectos mais notáveis do livro e um primeiro ensaio das gravuras que Paládio iria criar para a sua obra: “I Quattro Libri dell'Architettura”.
Exemplar com ex-libris de... colado no verso do frontispício e com assinatura de posse, na folha de guarda: Conde de Tavarede, D. Francisco. Livraria de Lisboa 1853, com cota de localização de biblioteca escrita a lápis e com o número da cota inscrito em etiqueta colada à cabeça da lombada.
D. Francisco de Almada Quadros Sousa e Lencastre, (Trancoso, 1818-Lisboa, 1853) foi 2º barão e 2º Conde de Tavarede e Comendador da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa.
As páginas preliminares contêm a dedicatória do tradutor a D. Hipólito de Este, Cardeal de Ferrara, e prólogo aos leitores pelo impressor Francesco de" Francheschi. O texto ocupa as primeiras 482 páginas, da 483 à 495 contém as tabelas astronómicas das dimensões das estrelas, a página 496 contém a tabela das declinações do Sol, e as páginas 497 a 506 contêm o índice dos capítulos disposto em duas colunas.
Um dos mais magníficos livros quinhentistas da arquitectura do Renascimento, que é uma obra de tradução de excepcional rigor filológico e de interpretação do texto latino à luz das informações recolhidas nas descobertas arqueológicas da época.
Os ricos comentários que acompanham a tradução são um novo tratado de arquitectura que desenvolve muito os temas tratados na obra original de Vitrúvio, actualizando-os à luz da sua notável cultura clássica e científica.
Daniele Matteo Alvise Barbaro (Veneza, 1514-1570) ficou célebre como tradutor e comentador italiano de Vitrúvio. Barbaro estudou filosofia, matemática e óptica na Universidade de Pádua. Desenvolveu uma significativa carreira política, ao serviço do governo veneziano como embaixador em Londres, junto ao patriarca da Aquileia e representante da República de Veneza no Concílio de Trento (1561). Em 1557 foi eleito coadjutor do Patriarca da Aquileia, Giovanni Grimani. Era irmão de Marcantonio Barbaro com quem mandou construir a Villa Barbaro, em Treviso, sobre projecto de Palladio e, em 1565-67, foi retratado pelo pintor Paolo Veronese.
Andrea di Pietro della Gondola, conhecido por Palladio (Pádua, 1508 - Vicenza, 1580) foi um dos mais célebres arquitectos da fase final do Renascimento Italiano. A partir de 1556 trabalhou sob o mecenato de Daniele Barbaro, tendo projectado numerosos edifícios, que se tornaram exemplos paradigmáticos da arquitectura do Renascimento, em especial as 47 Villas rurais, na região de Vicenza e de Veneza, que são hoje Património da Humanidade. Publicou em 1570, a obra I Quattro Libri dell'Architettura, em quatro volumes profusamente ilustrados, onde discute o seu próprio trabalho e o resultado das suas pesquisas sobre a arquitectura clássica. Esta obra passou a ser o mais influente tratado de arquitectura juntamente com a obra de Vitrúvio.
Vitrúvio foi um escritor romano do século I, antes de Cristo, que é designado por alguns escritores como Marco Vitrivius Pollio, sendo o prenome e o cognome incertos. “De Architettura” é o único tratado europeu do período greco-romano que chegou aos nossos dias e serviu de fonte de inspiração a diversos textos sobre Arquitectura, Urbanismo, Hidráulica, e Engenharia. Os seus padrões de proporções e os seus princípios conceituais a “utilitas” (utilidade), “venustas” (beleza) e “firmitas” (solidez), são os fundamentos da Arquitectura desde o Renascimento até aos nossos dias.
OPAC SBN - Catalogo del Servizio Bibliotecario Nazionale. IT/ICCU/VIAE/000269.
Catálogo on line da Biblioteca Nacional de França. FRBNF41942066.