Tragédia jocosa com quatro ilustrações da autora. [1ª edição]. Contraponto. Lisboa. S./D. [1965].
De 23,5x18 cm. Com 38 págs. Ilustrado. Brochado.
Exemplar com título de posse manuscrito na folha de guarda.
"O homúnculo" é um texto sobre a sociedade portuguesa ao tempo de Salazar.
A ação decorre no palácio de el-rei Salarim - nome que a escritora utilizou para parodiar Salazar -, senhor absolutíssimo de Mortocália, epónimo com que Natália designou Portugal na peça.
A obra teve apenas uma leitura encenada, à porta fechada, antes do 25 de Abril, na Faculdade de Letras de Lisboa, tendo a sua edição impressa sido imediatamente apreendida pela PIDE, a polícia política da ditadura, em 1965.
Natália de Oliveira Correia (1923-1993) nasceu na ilha de São Miguel, Açores, vindo para Lisboa em criança. A sua carreira literária caracterizou-se pelo culto de uma grande diversidade de géneros: da poesia ao teatro, do ensaio ao romance, do livro de viagens à recolha e organização de antologias poéticas.
A maior parte sua obra foi escrita durante o Estado Novo. Apesar de muitos dos seus livros terem sido apreendidos pela censura, e apesar de ter sido julgada em Tribunal, resistiu ao fascismo, praticando a liberdade na alteridade do texto literário e na defesa pública da democracia.