(dos Cancioneiros Medievais à Actualidade). [1ª edição]. Selecção, prefácio e notas de … Ilustrações de Cruzeiro Seixas. Composto e impresso na Sociedade Astória, Lda. Afrodite. Lisboa. S/d. [1965].
De 19x12 cm. Com 552 págs. Ilustrado em extratexto com gravuras impressas sobre papel couché fino, reproduzindo desenhos de Cruzeiro Seixas. Brochado.
Florilégio de grande utilidade para o estudo das mentalidades em Portugal, que reúne poesias de autores nacionais do século XIII à contemporaneidade.
Inclui nomes célebres e inesperados como Camilo, Antero ou Pessoa e outros autores menos conhecidos.
O projeto de reunir textos “dos cancioneiros medievais à actualidade” considerados malditos pelas regulamentações legais e sociais vigentes foi, segundo a investigadora Isabel Cadete Novais, o aprofundamento de uma empreitada iniciada por Manuel Cardoso Marta, amigo de Natália, a quem a escritora comprara uma generosa biblioteca. Terá sido o jornalista que a iniciara sob o título “O purgatório dos poetas” e após a sua morte o projeto fora recuperado, completado e publicado sob a forma da presente edição.
Obra de circulação proibida (conforme relatório Nº 7677 da Direcção dos Serviços de Censura de 30 DE DEZEMBRO DE 1965,) e alvo de um aparatoso processo em que foram envolvidos todos os responsáveis pela edição. «Escândalo literário apreendido e matéria de julgamento em Tribunal Plenário, acusada de ofender o “pudor geral”, a “decência”, a “moralidade pública” e os “bons costumes”».
Natália de Oliveira Correia (1923-1993) nasceu na ilha de São Miguel, Açores, vindo para Lisboa em criança. A sua carreira literária caracterizou-se pelo culto de uma grande diversidade de géneros: da poesia ao teatro, do ensaio ao romance, do livro de viagens à recolha e organização de antologias poéticas.
A maior parte sua obra foi escrita durante o Estado Novo. Apesar de muitos dos seus livros terem sido apreendidos pela censura, e apesar de ter sido julgada em Tribunal, resistiu ao fascismo, praticando a liberdade na alteridade do texto literário e na defesa pública da democracia.