Importante manifesto diplomático e panfleto político publicado em 1762, no contexto da Guerra dos Sete Anos (especificamente durante o episódio que ficou conhecido em Portugal como a Guerra do Pacto Família ou Guerra das Laranjas de 1762).
O documento original foi impresso em Madrid pela corte espanhola com o título invertido: Razon de entrar en Portugal las tropas españolas, como amigas, y sin-razon de recibirlas, como enemigas. Ao ser reimpresso em Lisboa pelas autoridades portuguesas, o título foi ironicamente alterado para inverter a lógica espanhola, passando a ler-se: SEM RAZÃO DE ENTRAREM EM PORTUGAL AS TROPAS CASTELHANAS Como Amigas, E razaõ de serem recebidas como Inimigas. O manifesto impresso em Lisboa serviu como contra-propaganda essencial. O governo português utilizou a publicação para demonstrar a hipocrisia do argumento espanhol, argumentando que qualquer força estrangeira que cruzasse as fronteiras nacionais sem consentimento e de armas na mão era, por definição jurídica e militar, uma força inimiga que devia ser combatida.
Este folheto é hoje uma peça rara de coleção e um testemunho crucial da guerra psicológica e diplomática do século XVIII na Península Ibérica.
Junto com: GAZETA EXTRAORDINARIA DE LONDRES, PUBLICADA POR AUCTORIDADE. Quinta feira 30 de Setembro de 1762. Copia de huma carta do Conde de Albemarle ao Conde de Egremont, datada do Quartel Principal junto de Havana, em 21 de Agosto de 1762. “MILORD Tenho a honra de imformar a V. Excellencia que a cidade de Havana, que todas as sua pertenças, e as naos de Guerra, que se achavam no porto, foram rendidas ás Armas de Sua Magestade; por Capitulaçaõ do dia 13 do Corrente. Inclusa vai copia da Capitulaçaõ, varias relaçoens, e a continuaçaõ do Diario dado Chefe dos Ingenheiros, sobre o Sitio do Forte do Moro. (pelas) Tropas de S. Magestade e do General Major Keppel, op qual commandou o ataque.” EM LISBOA, Na Offic. de MIGUEL RODRIGUES, Impressor do Eminentíssimo Cardial Patriarca. M. DCC. LXII. (1762) Com 64-16 pags. Ilustrado com uma gravura desdobrável com a “planta do sitio de havana tirada por hum official militar q se achava prezente an. 1762.”
Tradução portuguesa da The London Gazette Extraordinary. Diferente do que se poderia esperar, esta edição específica não relata uma batalha em solo europeu, mas sim o maior triunfo global do bloco anglo-português contra o Pacto de Família na Guerra dos Sete Anos: a Tomada de Havana (Cuba) pelas forças britânicas aos espanhóis.
O folheto abre com a indicação de que, na noite anterior (29 de setembro), o Capitão Nugent e o Honrado Augusto Hervei tinham chegado a Whitehall (Londres) vindos de Cuba. Eles traziam os despachos oficiais e as cartas do Conde de Albemarle (George Keppel) e do Almirante Sir George Pocock direcionados ao Secretário de Estado britânico, o Conde de Egremont.
Reafirmava o poder militar e a eficácia da Grã-Bretanha, a grande aliada de Portugal, infundindo confiança na população portuguesa e nas tropas que estavam a ser reorganizadas pelo Conde de Lippe, enquanto o exército hispano-francês tentava invadir a Beira e o Alentejo.
Junto com: TRATADO DEFINITIVO DE PAZ, E UNIAÕ ENTRE Os Serenissimos, e Potentissimos Principes D. JOSEPH I. REY DE PORTUGAL, E DOS ALGARVES, JORGE III. REY DA GRAM BRETANHA, de huma parte; LUIZ XV. REY CHRISTIANISSIMO DE FRANÇA, E D. CARLOS III. REY CATHOLICO DE HESPANHA, DA OUTRA PARTE: ASSIGNADO EM PARIZ A DEZ DE FEVEREIRO de mil setecentos sessenta e tres: COM OS PLENOS PODERES, E RATIFICAÇOENS dos quatro Monarcas Contratantes; ajuntando-se os Actos que se passaraõ no dia 9 de Março do mesmo anno, em que as Ratificaçoens foraõ trocadas na mesma Corte de Pariz. LISBOA Na Officina de MIGUEL RODRIGUES, Impressor do Eminentíssimo Cardial Patriarca. M. DCC. LXII. (1762) Com 91-6-4 pags.
Tratado de Paris de 1763, especificamente a sua versão oficial ratificada e impressa em Lisboa. Este tratado de paz pôs fim à Guerra dos Sete Anos (1756–1763) e encerrou formalmente a invasão hispano-francesa a Portugal. O tratado foi assinado em Paris a 10 de fevereiro de 1763 e estabilizou as fronteiras e a soberania portuguesa através de pontos fundamentais: A Espanha foi obrigada a retirar todas as suas tropas de Portugal e a devolver as praças fortificadas conquistadas durante a invasão de 1762 (como Miranda do Douro, Bragança, Chaves e Almeida). Na América do Sul, o tratado determinou que a Colónia do Sacramento (no atual Uruguai), que havia sido tomada pelos espanhóis, fosse devolvida à Coroa Portuguesa, embora as disputas na região do Rio da Prata tenham continuado nos anos seguintes.
O documento selou a vitória do bloco anglo-português contra o Pacto de Família (França e Espanha), consolidando a dependência mútua e a histórica aliança entre Lisboa e Londres. O sucesso em repelir a invasão e a subsequente paz negociada reforçaram o prestígio político de Sebastião José de Carvalho e Melo (o futuro Marquês de Pombal) na condução do Estado português.
Junto com: INSTRUÇOENS GERAES RELATIVAS A VARIAS PARTES essenciaes DO SERVIÇO DIARIO para o Exercito DE S. MAGESTADE FIDELÍSSIMA Debaixo do mando DO ILLUSTRISSIMO, E EXCELLENTISSIMO SENHOR CONDE REINANTE DE SCHAUMBOURG LIPPE Marechal General dos Exércitos do mesmo Senhor, e General em Chefe das Tropas Auxiliares de Sua Magestade Britânica. LISBOA, Na Officina de MIGUEL RODRIGUES, Impressor do Eminentíssimo Cardial Patriarca. M. DCC. LXII. (1762) Com 49 pags. Encadernação da época inteira de pele com a lombada cansada. Exemplar com leve pico de traça nas primeira paginas. Tractado definitivo de paz e união entre as coroas de Portugal, França, Gran-Bretanha e Hespanha, assignado em Paris a 10 de Fevereiro de 1763; e impresso em Lisboa, na Offic. de Miguel Rodrigues 1763. 4.º de 91 pag.”
Um dos regulamentos militares mais célebres da história de Portugal, estas instruções foram elaboradas e assinadas pelo Conde de Schaumbourg-Lippe (Wilhelm von Schaumburg-Lippe), o brilhante marechal-general alemão contratado pelo Marquês de Pombal para reorganizar as forças armadas portuguesas durante a Guerra dos Sete Anos.
A publicação deste manual tático e disciplinar marcou o nascimento do exército português moderno. O documento estabelecia as seguintes bases organizacionais: Regulava minuciosamente a rotina dos quartéis, os turnos de guarda, as revistas de armamento, a higiene das tropas e a logística militar diária. Rompeu com os velhos costumes indisciplinados e as táticas obsoletas herdadas da Guerra da Restauração, introduzindo a rigorosa doutrina militar prussiana adaptada à realidade de Portugal.