In fólio de 54x34,5 cm. Col: frontispício + página de rosto + 20 mapas + 20 índices.
Atlas do final do século XVII, com uma luxuosa encadernação editorial da época, acondicionada dentro de uma caixa de transporte moderna. Soberba obra-prima editorial fabricada na Holanda, trabalhada e dourada com molduras e desenhos florais tanto nas pastas como nos cantos exteriores e nas charneiras. Nos cantos das molduras douradas da capa podemos encontrar esferas armilares finamente trabalhadas. Também um trabalho artesanal perfeito para o dourado da lombada com as mesmas esferas trabalhadas. Atlas recentemente sujeito a pequenas reparações profissionais - efectuadas sob a direção da oficina da Biblioteca Nacional de Portugal - preservando todas as partes originais e acrescentando novas folhas de guarda. Datação de 1688 no mapa de fólio duplo nº 15.
Este atlas é magnificamente ilustrado com um frontispício decorativo, mostrando o semideus Atlas segurando o Mundo no firmamento celeste. Estes atlas são muito raros quando contendo todas as páginas e o próprio frontispício é um item colecionável. Contém 20 mapas coloridos à mão (19 mapas no formato 56 x 47 cm e um mapa - fólio 15 - no formato 86x47 cm).
Fol. 1 Nova Orbis Tabula Fol. 2 America Fol. 3 Africa Fol. 4 Asia Fol. 5 Europa Fol. 6 Hispania Fol. 7 Gallia Fol. 8 Italia, Corsica, & Sardinia Fol. 9 Status Sabaudicus Fol. 10 Germania Fol. 11 Schandinavia Fol. 12 Dania Regnum Fol. 13 Suecia Regnum Fol. 14 Polonia, & Duc. Lithuania, Volhinia, Podolia, Ukrania, Prussia, Livonia, & Curlandia. Fol. 15 Hungaria, Transilvania, Servia, Romania, Walachia, Moldavia, Sclavonia, Croatia, Bosnia, & Dalmatia, 2 Fol. [1 duplex] Fol. 16 Anglia, Scotia, & Hibernia Fol. 17 Anglia Regnum Fol. 18 Scotia Regnum Fol. 19 Germania Inferior Fol. 20 Belgium Hispanicum & Gallicum
As escalas de os mapas variam desde ca. 1: 2.400.000 até cerca de 1:15.000.000. Apresentam-se com cartelas coloridas com o título, zonas marítimas decoradas com navios, armas reais detidas por querubins, figuras mitológicas e alegóricas e tem a particularidade do colorido dos contornos ser destinado a uma pesquisa rápida na lista de índice de nomes que constam nos fólios intercalados após cada mapa. Todos os mapas têm graduações geográficas e apenas alguns deles apresentam as escalas geográficas e a correspondência das diferentes escalas de milhas usadas em diferentes países. Os relevos são apresentados pictoricamente.
O mapa da América (fólio 2) é um dos mais bem conservados deste Atlas, com o título «Novissima et Accuratissima Sptentrionalis ac Meridionalis Americae Descriptio, multis Locis recentibus aucta et correcte divisa in Omnes Partes Hodierna Per Fredericum de Witt Amstelodami». Apresenta junto à cartela os motivos da mitologia ameríndia: figuras de serpentes (deidade principal dos cultos ameríndios) e uma visão alegórica do ouro e da mineração feita pelos índios das Américas. No canto superior esquerdo do mapa há uma cartela colorida à mão com a história da descoberta da América: «America nomen habet ab Americo Vesputio, Florentino, qui Emmanuelis Portugalia Regiis auspiciis à Gadibus anno 1497 profectus primus ex Europaeis, quantum quidem constat, eam ingressus est. Quan quan prior Christophorus Columbus Genovensis, anno 1492….». (América nome a partir de Americo Vespuccio o qual foi enviado para descobrir este continente pelo Rei Dom Manuel de Portugal, etc.). Este mapa mostra o território da América do Norte praticamente todo desconhecido: a Califórnia é vista como uma ilha; o território continental da América do Norte não é conhecido para além dos Grandes Lagos. O território actual dos U. S. A. encontra-se colorido a rosa com o nome de Nova França e Nova Iorque é ainda designada como Nova Amsterdão.
A convenção das cores dos mapas são destinadas a que o leitor efectue uma pesquisa rápida na lista de índice de nomes que vêm nos fólios após cada mapa. As cores - rosa, amarelo e castanho - são todas originais. Porém o castanho é uma alteração (viragem química pelo tempo) de uma tonalidade de cor azul clara feita à base de cobre. No reverso deste mapa (assim como todos os outros) podemos ver a viragem natural causada por esta tinta corrosiva, o que levou a restauros menores neste fólio para evitar a corrosão da referida tinta à base de cobre.
Frederick de Witt (1630 - 1706) foi um cartógrafo e artista que desenhou mapas desde cerca 1648 até sua morte. Frederick de Wit viveu e trabalhou em Amsterdão. Os seus primeiros mapas do mundo - Nova Totius Terrarum Orbis e Nova Totius Terrarum Orbis Tabula (um mapa de parede) - surgiram por volta de 1660. Até ao momento, mais de 121 atlas e milhares de mapas soltos foram identificados como sendo da sua autoria.
Esta obra pesa mais de 5 Kg. e está sujeita a custos de porte adicionais.
Referências/References:
Rodney Shirley’s list.
Burden, 465/7;
Tooley (America) p.120, #33;
Portinaro & Knirsch XCIV.
Koeman.