In 4º de 18x14 cm. com [vi], 40 págs.
Encadernação da época inteira de pele, com finos ferros a ouro na lombada, apresentando restauro do século XX e folhas de guarda renovadas.
Ilustrado com 1 frontispício alegórico em anterrosto e 77 estampas em extratexto.
Exemplar com leves manchas coevas de tinta nas páginas 39, 40 e na primeira estampa, leve vestígio de humidade na dianteira das primeiras 6 páginas inumeradas, leves restauros de pequenas galerias de traça antigas sem afectar a parte gráfica e ex-libris armoriado da “Livraria de J. G. Mazziotti Salema Garção”.
Tradução e adaptação para o francês do primeiro livro do célebre tratado I Quattro Libri dell'Architettura do mestre italiano Andrea Palladio. Publicada originalmente em Paris em 1645 pelo arquiteto francês Pierre Le Muet, a obra concentra-se na sistematização técnica, geométrica e estética das cinco ordens clássicas da Antiguidade, que são a Toscana, a Dórica, a Jónica, a Coríntia e a Composta. Em vez de uma tradução literal, Le Muet não se limitou a verter a obra para o francês, mas também adicionou novas propostas e ilustrações destinadas à "arte de bem construir" (l'art de bien bastir), adaptando o rigor proporcional italiano às necessidades práticas e ao gosto da arquitetura francesa do século XVII. O livro tornou-se um instrumento fundamental para a difusão internacional do palladianismo e para a padronização do ensino académico da arquitetura na Europa, sendo ainda hoje um documento histórico e de coleção altamente valorizado.
Pierre Le Muet (Dijon, 7 de outubro de 1591 – Paris, 28 de setembro de 1669) foi um proeminente arquiteto, engenheiro militar e escritor francês, considerado um dos grandes nomes do classicismo do século XVII. Nomeado "Arquiteto Ordinário do Rei" em 1616, acumulou uma sólida experiência em fortificações militares na Picardia antes de se consolidar na arquitetura civil. Ganhou imensa notoriedade tanto pela autoria de tratados práticos, como o famoso Manière de bâtir pour toutes sortes de personnes (1623), quanto pelos seus projetos residenciais de elite, que incluem os imponentes castelos de Tanlay e Chavigny, além de refinados casarões em Paris, como o célebre Hôtel d'Avaux. A sua obra é reconhecida pela capacidade de fundir a tradição construtiva francesa com o rigor geométrico e as proporções eruditas do renascimento italiano.
Andrea Palladio (Pádua, 30 de novembro de 1508 – Maser, 19 de agosto de 1580), cujo nome de batismo era Andrea di Pietro della Gondola, é amplamente considerado o arquiteto mais influente da história ocidental. Inicialmente formado como pedreiro e escultor de pedra, o seu talento foi descoberto pelo humanista Giangiorgio Trissino, que se tornou seu mentor, lhe deu o nome clássico "Palladio" e financiou os seus estudos das ruínas romanas na Itália. A sua carreira consolidou-se na República de Veneza, onde projetou igrejas monumentais como a de San Giorgio Maggiore e uma série de vilas aristocráticas revolucionárias, entre as quais se destaca a famosa Villa Rotonda. O seu legado foi eternizado com a publicação de I Quattro Libri dell'Architettura (1570), um tratado teórico e prático que codificou as ordens clássicas e cujos princípios de simetria, proporção e elegância limpa deram origem ao movimento internacional conhecido como "Palladianismo".