AO POTENTISSIMO REY D. IOAM IV NOSSO SÑOR RESTAUDOR DA LIBERDADE PORTVGVESA. Pello Doctor Antonio Carvalho de Parada Arcipreste na Sé de Lisboa e ora Prior de Bucelas protho notário Apostolico, e uisitador Arcebispado de Lisboa. Em Bucellas Por Paulo Crasbeck. S./d. [1644] In 4.º de 27,5x18,5 cm. Com [v], 296 pags.
Encadernação do século xix inteira de pele com ferros a ouro na lombada.
Ilustrado com um belo frontispício arquitetónico gravado com as armas de D. João IV ao alto e as armas do autor em baixo.
Obra muito rara.
Inocêncio I, 107. “P. ANTONIO CARVALHO DE PARADA, Presbytero secular, Dr. em Theologia pela Univ. de Coimbra, e egualmente instruido nos Direitos civil e canonico. Exerceu varios logares honorificos e beneficios rendosos,foi Prior da freguezia de Bucellas, e Guarda mor do Archivo da Torre do Tombo. - N. n villa do Sardoal, bispado então da Guarda, e depois de Castello Branco, em 1595, e m. em Bucellas a 12 de Dezembro de 1655. - E. 516) (C) Arte de Reinar: ao potentissimo rei D. João IV nosso Senhor Restaurador da liberdade portugueza. Bucellas, por Paulo Craesbeeck, sem anno (mas é de 1643, postoque Barbosa lhe assigne a data de 1644.) fol. de V 296 folhas numeradas só na frente, e com frontispicio gravado a buril. Ácerca d’esta obra importante e estimada, que valeu a seu auctor a nomeação de Guarda mor da Torre do Tombo em retribuição de havel a composto, diz D. Francisco Manuel de Mello, falando do mesmo auctor: «Que com grande razão se atrevera a ter os réis por discipulos na sua Arte de Reinar, livro digno de toda a estimação. » Com effeito ninguem ousará negar que seja escripta com pureza de linguagem, e estylo claro, disposta methodicamente, e cheia de maximas uteis, verdadeiras, e ajustadas ao bom regimen dos Estados, ao menos tal como então se comprehendia. Porêm os factos e auctoridades que comprovam a doutrina, nem sempre são seguros e bem averiguados. A erudição era n’aquelle seculo mais apparatosa que substancial, como tomada quasi inteiramente em livros modernos, e sem recorrer ás genuinas e verdadeiras fontes da antiguidade. Não sei se deverá dizer se outro tanto da que reina actualmente. É verdade que muitos dos nossos escriptores modernos, iscados da mania de quererem ser tidos por originaes, e relegando para o paiz do fossilismo o antigo uso das citações e auctoridades, conseguem copiar se soffrivelmente uns a outros sem o confessarem, e motejam da erudição de nossos avós substituindo lhe outra, de certo mais superficial, e mui menos custosa de adquirir. A Arte de Reinar, falando bibliographicamente, é livro raro, e de preço. Os poucos exemplares que apparacem em bom estado e completos tem sido vendidos de 3:200 a 4:800 réis, e poucas vezes por menos.”
Azevedo e Samodães, 625. “Carvalho de Parada é um dos nossos primeiros e mais estimados clássicos, e esta obra o seu melhor trabalho literário. Edição primorosamente executada pelo afamado e hábil impressor Paulo Craesbeck. Os exemplares são hoje extremamente raros no mercado.”
Barbosa Machado 1, 234. Pinto de Matos 147.